Era uma quarta-feira pela manhã quando Felipe Conceição desembarcou no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins. Chegava para substituir Luiz Felipe Scolari, mas também para dar sequência ao projeto do clube: buscar o acesso à elite do Campeonato Brasileiro. Passados 100 dias desde aquele 3 de fevereiro, Felipe Conceição e a equipe estão fora das finais do Campeonato Mineiro (o objetivo inicial traçado era estar nas semifinais). Mas, por outro lado, a competição tinha outra meta: remontar o time de olho na Série B.

A chegada do treinador representou um novo rumo técnico, uma busca pela mudança de estilo de jogo, mas também um ajuste financeiro, já que o antecessor Felipão e sua comissão tinham um custo bem mais elevado, o que era um sacrifício enorme para um clube que sofre diariamente para respirar economicamente.

Se falta dinheiro, sobra desejo de reconstruir uma equipe. Logo na primeira entrevista coletiva, o treinador destacou que era preciso o Cruzeiro buscar sempre o ataque, ser mais intenso em campo.

O torcedor viu, sim, um time com um novo conceito, nova proposta, menos reativo. Mas ainda longe do ideal, distante de uma formação que passe segurança e tenha consistência para encarar 38 rodadas de Série B.

Objetivos traçados para a temporada:

  • Ser semifinalista do Mineiro
  • Chegar às oitavas de final da Copa do Brasil
  • Alcançar o acesso à Série A

No decorrer do Campeonato Mineiro, houve uma melhora no processo. Não o suficiente para superar um rival como o América-MG, que vem de trabalho mais longo sob a direção do técnico Lisca. O Cruzeiro acabou eliminado na semifinal.

São 15 jogos com Felipe Conceição. O time acumulou sete vitórias, três empates e cinco derrotas (aproveitamento de 53,3%). Foram 16 gols marcados e 10 sofridos. Dos 15 compromissos, 13 foram pelo Campeonato Mineiro e dois pela Copa do Brasil (eliminou São Raimundo-RR e América-RN nas duas primeiras fases).

Felipe Conceição ganhou reforços durante os 100 primeiros dias de clube. Foram nove contratações, até agora. Mas apenas três deles conseguiram espaço entre os titulares: Matheus Barbosa, Bruno José e Rômulo.

Outros (Eduardo Brock, Alan Ruschel, Matheus Neris, Marcinho e Felipe Augusto) figuram mais entre os reservas. Já o atacante Guilherme Bissoli chegou há poucos dias e apenas entrou no segundo tempo do último jogo, contra o América-MG.

Novos nomes são aguardados para a Série B. Fora das finais do Campeonato Mineiro, o Cruzeiro terá pouco mais de duas semanas livres para treinos, ajustes e tempo para encorpar o elenco com mais opções para Felipe Conceição.

O técnico já havia falado, durante o Estadual, que iria avaliar as carências do grupo em meio à disputa do torneio. Um lateral direito, um zagueiro de mais experiência e mais uma peça para o setor ofensivo são alvos. Ao término da participação no Mineiro, reforçou que algumas mudanças ocorrerão, com a saída e chegada de novas peças nas duas próximas semanas. Comentarista dos canais Globo, Roger Flores destacou:

– O campeonato estadual mostrou ao Cruzeiro de que ainda falta bastante coisa para a disputa da Série B. Felipe Conceição usou o campeonato como teste, como laboratório. E fez certo. O Cruzeiro precisa de reforços. Urgentemente, precisa de um zagueiro mais experiente. No meio de campo precisa de um organizador, de um articulador de jogadas ofensivas. E no ataque, mostrando que não confia nem no Moreno e nem no Pottker, precisa de dois atacantes que sejam mais decisivos.

Também comentarista, Henrique Fernandes analisou:

– Eu vejo, mais claramente, três lacunas no elenco, uma grave, não tem um reserva para o Cáceres. Um o lateral direito tem que vir. Os jogadores que estão lá são jovens. Eu traria também um zagueiro mais experiente, porque tem dois zagueiros mais experientes no elenco, Brock e Ramon. Traria também um meio-campista. Faria uma aposta certeira para que o time fique mais encorpado na Série B.

Nesse período, o treinador também viu baixas no elenco. A principal delas foi a saída do zagueiro Manoel, que pediu para deixar a Raposa, uma vez que tinha proposta do Fluminense. Surgiu a chance então para o jovem Weverton.

Felipe Conceição chegou a dividir a metodologia de remontagem de equipe em três etapas. A primeira com experiências nas escalações – ao todo, 27 jogadores foram observados. A segunda etapa foi a aposta em uma base entre os titulares. Com a base, iniciou o período chamado de decisões, em que o time seria exposto a mais pressão e desafios de mata-mata.

Nesse processo, o Cruzeiro foi alvo de críticas, mas também teve momentos que renovou a esperança de que o trabalho pode progredir mais. É necessário agora deixar o time competitivo, para não ficar só na esperança.

O Estadual, mais que nunca para o Cruzeiro, não deixou de ser um “laboratório” para o elenco. Foram 100 dias para Felipe Conceição propor nova ideia de jogo, iniciar o processo, mas também tirar lições sobre o que foi construído até aqui. Entre o que deu certo e o que precisa ser revisto, há muita coisa a ser feita ainda para deixar a equipe em melhores condições de buscar a vaga na Série A.

Fonte: Globo Esporte

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

× Como posso te ajudar?