Sete meses após Alessandro Barcellos assumir como presidente e prometer uma gestão de “rupturas” no Inter, o planejamento não suportou os resultados de campo e começou a derrubar as mesmas cabeças de sempre no futebol.

O técnico Miguel Ángel Ramírez durou apenas 101 dias no cargo, mesmo contratado para liderar um trabalho de dois anos. Na noite de segunda-feira, o vice de futebol João Patrício Herrmann pediu demissão.

Ou seja, entre janeiro e agosto o clube precisou da saída dos dois principais homens do vestiário para tentar conter a crise. As rupturas não suportaram a pressão do imediatismo.

Rupturas com a cultura de como fazer, mudar padrões até então intocáveis. A mudança é difícil, mas precisa começar. Nosso clube precisa de profissionais renomados, metas claras e objetivos na execução.
— Presidente Alessandro Barcellos, em seu discurso de posse em janeiro

O cerne da mudança de rumo se resume à falta de resultados. E, principalmente, de títulos. Depois de perder o Gauchão para o rival Grêmio e cair na terceira fase da Copa do Brasil em casa, Ramírez deixou o clube e seu projeto de transformar a maneira de o time jogar.

A solução encontrada foi repatriar Diego Aguirre para assumir o elenco cinco anos depois de sua primeira passagem. No mata-mata que restava na temporada, o Inter foi eliminado nas oitavas de final da Libertadores.

O Inter em 2021

  • Vice-campeão gaúcho
  • Eliminado na terceira fase da Copa do Brasil
  • Eliminado nas oitavas de final da Libertadores
  • 14º colocado no Brasileirão após 14 rodadas

 

Hoje, ocupa o modesto 14º lugar no Brasileirão com 15 pontos, 17 a menos que o líder Palmeiras e apenas três a mais que o São Paulo, 17º e primeiro na zona de rebaixamento.

A soma de problemas custou o fim da relação de carinho com a torcida. No embarque e desembarque da derrota por 2 a 1 para o Athletico-PR, pela 13ª rodada, vieram os primeiros protestos.

Na semana passada, as arquibancadas do Beira-Rio receberam faixas com pedidos por saídas de jogadores e de João Patricio Herrmann. No último sábado, antes do empate em 0 a 0 com o Cuiabá, torcedores estiveram em frente ao hotel que serve de concentração e, uma vez mais, cobraram o time.

Como indicou o resultado, a manifestação não surtiu efeito em campo. O Inter pouco produziu e, inclusive, correu risco de perder em pleno Beira-Rio.

— A torcida está certa em cobrar. Não temos bons resultados. Trabalhar com essa pressão para reverter — comentou Boschilia depois da partida.

Aguirre adotou tom mais conciliador. O treinador evitou falar sobre a reação dos jogadores e o reflexo no desempenho da equipe.

— Eu não sei se esses movimentos chegaram ou não ao vestiário, mas os jogadores têm que entender os torcedores, que estão decepcionados com os resultados. Temos que assumir que poderíamos ter feito algo melhor. São coisas normais que acontecem em times grandes — declarou o técnico.

Em sua declaração ainda como vice de futebol colorado, Herrmann já indicava sinais de desgaste diante das atitudes de parte da torcida.

— Tento não levar para casa. Mas não é fácil. Muitos atletas são jovens e alguns não conseguem segurar a pressão e a dimensão desses problemas. Isso entra em campo, sim — argumentou, mal sabendo que duraria somente mais dois dias no cargo.

Flamengo de novo, em momento diferente

Enquanto o presidente Alessandro Barcellos desce ao vestiário para ajudar no dia a dia até a definição do novo vice de futebol, o momento vislumbra o Flamengo na próxima rodada do Brasileirão. O histórico recente do duelo mostra que as mudanças no Beira-Rio ocorreram mais em campo que fora dele.

No dia 20 de fevereiro, a delegação viajou ao Rio de Janeiro sob o carinho de mais de mil torcedores que estiveram no aeroporto Salgado Filho. Então líder do Brasileirão 2020, se vencesse o time carioca no Maracanã o Inter seria campeão com uma rodada de antecedência.

Em um jogo marcado pela polêmica expulsão de Rodinei, o Inter perdeu de virada por 2 a 1 e viu a liderança passar ao rival, que ficou com o título do nacional.

Os colorados, que antes empurraram o time em busca do título, agora promovem uma onda de protestos. A confiança deu lugar ao temor da zona de rebaixamento. As soluções tomadas pela direção ainda não se desenharam tão revolucionárias assim.

Neste contexto, na tentativa de apaziguar ânimos internos e externos, o grupo de Diego Aguirre volta a treinar nesta terça-feira. O jogo com o Flamengo está marcado para domingo, às 18h, no Maracanã, pela 15ª rodada do Brasileirão.

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